A cerâmica gingando entre seus dedos: Vava Azim e a arte de transformar argila em movimento e cultura.
#ENTREVISTAOsvaldo José Azin Neto, artisticamente conhecido como Vava Azim. Autodidata, nasceu em Fortaleza 1966, vive hoje na comunidade Tabubinha, Morro Branco, Beberibe. Oriundo do mundo das Artes Plásticas e Visuais Cearense, influenciado por seu tio, Joaquim de Souza, um dos Maiores nomes das décadas de 70/80. Conviveu com Mestre Descarte Gadelha, Roberto Galvão, Tarcísio Felix, Nauer Spindola, Sérvulo Esmeraldo, Vando Figueiredo entre outros. Dedicou-se as Artes Plásticas Visuais Cearense em 1995 com “Bonecos Gigantes” com o mestre Gabriel Mascarenhas e em 1999 conheceu o Mestre Da Cerâmica juazeirense Bosco Lisboa com quem começou a desenvolver a cerâmica que é sua especialidade na escultura.
“Desenvolvi minha obra dentro de um mundo surreal em que mistura o homem e o bicho. Através dos anos venho mudando as formas. Meu trabalho é solto e deixo que a Argila me conduza dentro da minha inspiração e da figura que quero mostrar. Dentre as obras que fiz “O Capoeirista” que intitulei: Mestre Dunga, é um símbolo da capoeira e que Sempre me fascinou pois cheguei até a praticar com Mestre Dunga e Mestre Dingo. Duas figuras que são a cara da capoeira cearense”. – Disse Vava Azin.
Poder ter a liberdade de expressão e mostrar seus sentimentos e amor pela Cultura Cearense através de sua obra é o que o fascinou desde sempre.
Participou de várias exposições coletivas nacionais e internacionais. Foi curador nas Artes Visuais e realizou mais de 130 exposições nacionais e internacionais. Fez algumas produções culturais no áudio visual como Presidente da Associação dos Artistas Plástico Profissionais do Ceará em parceria com Bienal de Veneza e o Diretor de cinema italiano Danielle Otobre e trouxeram juntos para o Ceará, o maior festival ambiental de curta metragem ECOVISION realizando-o no Centro Cultural Dragão do Mar que naquele período tinha a frente Maninha Morais. É um dos criadores do primeiro programa da história da tv cearense direcionado somente as Artes Plásticas Visuais do Ceará, o “PROGRAMA VISUALIDADE” junto com Nauer Spindola, Bosco Lisboa, Lilia Moema e Major de Castro exibido na TVC. Como editor dirigiu a Revista “HARCO” revista dedicada a cultura.
“A Arte para mim é tudo! É inspiração pra uma vida melhor. Viva as Artes! Viva a Capoeira!”
Movimento Capoeira: Sr. Vava, é uma grande honra tê-lo conosco. O senhor vem de uma longa trajetória nas artes visuais, conviveu com grandes mestres. O que levou o senhor, dentro desse mundo surreal que explora, a escolher a capoeira como tema para uma de suas obras mais significativas?
Vava Azim — A capoeira ela sempre esteve contida dentro de mim desde de muito cedo, a música o berimbau tocando o atabaque e a galera jogando Bonito Sempre me fascinou, como Artista Plástico Escultor Ceramista não poderia deixar de marcar essa história que o Ceará também conta, como Fã da Capoeira fiz está a obra intitulada: "Mestre Dunga", Um dos grandes precursores da Capoeira Cearense.
Movimento Capoeira: E como nasceu, especificamente, a escultura "O Capoeirista", que o senhor batizou de Mestre Dunga? Foi um processo premeditado ou a argila realmente "lhe levou", como o senhor costuma dizer?
Vava Azim — As lembranças nos levam também a criação e o momento me levou a realizar essa Obra onde retrata a postura inicial da ginga o primeiro passo (base) cada movimento com a argila passava em meus momentos minha história na capoeira um passado maravilhoso lembrando do Amigo Mestre Dunga símbolo da Capoeira Cearense que remete a importância da Cultura Desta Artes poderosa que é a Capoeira.
Movimento Capoeira: O senhor menciona que sua obra mistura o homem e o bicho. Nós vemos muito dessa relação na capoeira, com os apelidos (ginga de jaguara, rasteira de jacaré etc.) e a própria malícia animal dos movimentos. O "O Capoeirista" carrega essa dualidade?
Vava Azim — Exatamente, maravilhoso essas criações do homem e do bicho que a Capoeira também menciona em seus batismos e seja também uma das fontes bebidas de inspirações para minhas obras que assim como a capoeira também é libertação é Livre em seus passos, gingas, esquivas e golpes para viver.
Movimento Capoeira: O senhor já teve a oportunidade de mostrar essa obra para o Mestre Dunga e outros capoeiristas? Qual foi a reação deles?
Vava Azim — Já sim, é um Presente e homenagem que faço especialmente ao Mestre Dunga esta obra, a qual a anos prometi a ele que com muita alegria disse que está muito feliz e como amante das Artes Plásticas Visuais valoriza e isso me engrandece demais, me sinto muito feliz.
Movimento Capoeira: Para o senhor, que já foi curador de mais de 130 exposições e um grande divulgador da cultura cearense, qual o papel da arte na preservação de tradições como a capoeira?
Vava Azim — A Capoeira é um patrimônio que temos que dar sempre um SALVE! Em todas as áreas, na música, teatro, Artes Visuais, áudio visual, circo, Esporte, Moda, Cultura popular em tudo que se faz ser a cultura tem que existir homenagem e apoio total a Capoeira e da minha parte sempre farei.
Movimento Capoeira: Por fim, Mestre Vava, que mensagem o senhor deixa para os leitores da Revista Movimento Capoeira, muitos deles mestres, contramestres e jovens aprendizes dessa arte?
Vava Azim — Minha Mensagem é Fé em Deus sempre. que o respeito faz o homem e o nos mostra os resultados, viver é sempre aprender para os jovens dedicação a capoeira transforma o homem, o que faz o sucesso que é o fruto do seu trabalho, treine e Viva a Capoeira Cearense. Parabenizar a Todos que fazem a Revista Movimento Capoeira pela iniciativa e por apoiar a Capoeira e a cultura Do Estado do Ceará.